Posts Tagged ‘Janis Joplin’

h1

Largue-se!

março 20, 2010

Nasci e ela já havia falecido há 11 anos. Não sei ao certo quando a descobri, mas lembro de a ter sorvido muitas vezes através de cópias de fitas k7. Vi seu rosto pela primeira vez, estampado em PB em uma camiseta de malha pendurada numa barraca de camelô. Ficou enorme em mim, mesmo assim a usei muitas vezes. E vestia com orgulho, como se ela e eu fizéssemos parte de um mesmo time. Como se por através daquela camiseta pudessem me identificar como pertencente de uma tribo. Da tribo dela.

O tempo passou, eu já não a ouço tanto assim. Mas, sempre mantive a ideia de que ela tinha sido uma mulher poderosa. Que esteve sempre a frente de suas bandas e que quebrava barreiras por ser uma mulher com uma voz daquelas.  E isso ninguém me contou. Eu sempre achei com base nas poucas poses que vi em fotografias ou simplesmente na voz.

Esbarrei com o livro em janeiro, estava com minhas irmãs e quando identifiquei a capa gritei: É ela! É ela! É a biografia dela! Eu quero! É meu!
E a Nique só conseguiu dizer: Ahh… Linda! Mas, eu vi primeiro!

Sabe aquela ideia de criança de deixar o que é melhor pro final? Pois é, li todos os outros na frente para saborear  a Janis Joplin no final.

Resultado: Passei o livro todo com os sentimentos oscilando entre inveja por não ter visto nenhuma de suas fantásticas apresentações, e desapontada por achá-la em muitos momentos uma completa idiota e por isso briguei com ela praticamente o livro todo (Porra, Janis!)

Myra*, a retratou como imatura, insegura, ciumenta e invejosa. Contou coisas de alguém que queria demonstrar ser o que não era, alguém que fazia a linha do sexo livre e que pegou tudo quanto foi “garotinho” e que teve relações homossexuais. Alguém que se deixava usar e não se permitia ser amada. Foi uma fraca.

Filha de uma puta! Piranha! Acabou com a própria vida e com a minha admiração. Será que não leu “O Pequeno Príncipe”**?

Sempre usei uma frase (que dizem) dela: “Largue-se e você será muito mais do que jamais sonhou ser.” E era isso. Era isso que acontecia no palco. Ela se largava e se transformava em algo tão grande que não era capaz de segurar a onda de não ser aquilo tudo fora dele.

Nunca fui de ter ídolos. Só gostava dela, ou daquilo que acreditava que ela fosse.  Não queira saber sobre seus ídolos, você pode se decepcionar. Acredite que ele(a) só faz um trabalho ótimo, e que se for buscar a fundo, ele(a)  pode ser muito pior do que você jamais sonhou ser.

*Myra  Friedman, Enterrada Viva – A Biografia de Janis Joplin
** Antoine de Saint-Exupéry – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

   

PS: O livro fala da vinda da Janis ao Brasil, mas ficou faltando falar do Serguei!! Ingrata! RS

Anúncios