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Uma Copa, as olimpíadas… E eu só queria ir pra casa

outubro 9, 2009

supervia

Um dia após a confusão na estação de trem de Nilópolis (município do Estado do Rio de Janeiro), vou trabalhar e ouço uma voz nos alto-falantes comemorando as olimpíadas de 2016 e fazendo propaganda enganosa a respeito da Supervia.  Acho que só a Supervia fala bem da Supervia. Seria mais um dia normal de trabalho e chuva, se não fosse a ligação do meu namorado pedindo pra eu ter cuidado ao ir pra casa, pois ”a chapa estava quente” (de novo) nas estações ferroviárias. Entrei no site do jornal O Dia e a informação foi confirmada, aos poucos meu ramal começou a tocar, as ligações tinham uma mesma pergunta: Como vamos embora? Eu já tinha traçado uma estratégia na minha cabeça – Ir com a Van da empresa até Triagem, pegar o Metrô, descer em Coelho Neto, pegar o “Frescão” integração para um lugar Tão Tão Distante Chamado Bangu. Já que chovia o dia todo, e todo carioca sabe que:  fez poça a Av. Brasil para. Todos concordaram que seria a melhor opção. E seria! Se o “meu Bangu” fosse no mesmo Bangu que a Cintia mora. Mas, o meu Bangu fica quase na “casa do Caio”. Saí da empresa pontualmente com a Van contratada às 17h40min. Peguei chuva, subi a rampa de Triagem, Esperei o Metrô. O Metrô foi e eu não. Esperei outro, ainda não foi dessa vez. Fui no terceiro e só consegui  porque o pescoço da Priscila estava ao alcance das minhas mãos (sim, ela está bem, obrigada!). As estações que faltavam foram diminuindo, o vagão feminino criando espaços, consegui segurar o ferro do meio, garotinho gordinho suarento se encostando, maravilha: Coelho Neto, amém!

Neste ponto nosso grupo se dividiu: duas optaram pelo transporte alternativo (Kombi que logo, logo, nosso prefeito Eduardo Paes vai criar uma licitação pra “organizar”) e as outras duas bestas seguiram rumo ao “Frescão”.

Não, eu não sei aonde pega o ônibus integração. Quem tem boca vai a Roma, imagine encontrar a fila do “Frescão”. Legal… A calçada está em obra, cheia de lama e: achei! A fila do Bangu fica logo ali, no meio da rua! Populares se espremiam como dava, mas pra minha felicidade a fila do meu Bangu era menor do que a fila do Campo Grande ou do Santa Cruz daquelas pessoas. Pense positivo: tem sempre alguém em pior situação do que a sua.  São em situações como esta que a gente vê que carioca é naturalmente debochado. Estávamos, todos na lama e na chuva e sempre que chegava algum “perdido”  perguntando: Bangu? Mais de um respondia: É. O final da fila é pra lá. Mas, as caras dos que respondiam diziam: a-há se f…eu!  E as caras do que ouviam diziam: PQP! Me F…di!

Confusão da porra na porra da fila do Santa Cruz, empurraram a velhinha que galgava seu primeiro lugar na fila do nosso Bangu por direito de Estatuto, mas mexeu com um dos nossos mexeu com todo mundo: epaaaaaaaaaa! Não adiantou nada, a galera de Santa Cruz tinha mais pressa e se auto-sacaneou: furaram a fila e ainda exibiam largos sorrisos nas janelas embaçadas.

Ficamos com medo de o nosso ônibus chegar e acontecer o mesmo, como dizia um rapaz na fila: – Não é preciso se preocupar. Lá só aconteceu porque ninguém estudou no Leopoldina (Colégio público de Bangu| isso só foi uma piada). Resolvemos então, que seria melhor nos organizarmos, o combinado era cada um tomar conta da sua frente. Já tínhamos um líder que conseguiu por ordem na fila e a nossa já fazia até voltinha. Para nossa sorte o despachante era amigo de uma conterrânea da fila e ele tinha um rádio! E esse rádio orientou o motorista a só abrir a porta quando estivesse na frente da velhinha (a que foi empurrada). E assim foi e todo mundo entrou! Adoro tecnologia! Lá estava eu sentada, numa poltrona reclinável e acolchoada, no ar condicionado e ouvindo Djavan.  O relógio marcava 19h20min (arredondando pra mais) liguei pra Cintia de dentro do “Frescão” e ela já estava em casa! Hã?! Morri de inveja da Kombi dela, claro! E minha cara disse: PQP! Me f…di!

Eu entrei na minha casa às 20h35min. Não, não o meu Bangu não fica em outro estado, é ignorado (rimou, mas não era minha intenção). A Cintia tinha pedido pra eu ligar quando chegasse. Liguei pra ouvir: Só chegou agora?!  Fiquei puta chateada! Mas, aí lembrei que a Priscila mora num lugar que ela diz que é Bangu, mas a gente sabe que é bem depois!

Mas, e você o que tem a ver com isso? Nada!  Só quis dividir a minha indignação com um país, com uma cidade que faz promessas de melhorias com deadline para 2016, enquanto a sua população sofre todos os dias com a falta de transportes públicos decentes, vias inadequadas, falta de educação, saúde e segurança. Quer dizer que se a p…rra daquela m…da de envelope tivesse escrito Madrid, essas melhorias iriam pra gaveta? Mas, é benfeito pra um povo que lota Copacabana num dia de semana em horário de expediente para assistir shows gratuitos e acreditar que isso é cidadania!  Não. Não sou do contra e muito menos “reclamona”, mas se tivéssemos disposição para nos manifestarmos contra as picaretagens que aceitamos passivamente ao invés de nos deslocarmos para o “oba-oba”, quem sabe não seriamos levados a sério e a festa com o dinheiro público cessaria.

Como boa brasileira e trouxa que sou, mesmo sendo contra tudo isso, meus olhos marejaram ao ver o replay da abertura do envelope no noticiário da noite.  Então, perdoe-me! Eu não sei o que digo…

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