Posts Tagged ‘Amor’

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Curtas II

maio 15, 2010

Certa vez, um tal Bonito Brasil** me disse que não era possível eu ter tanta coisa pra contar só de ir e voltar pra escola num ônibus. O que me difere dele e de outras pessoas, é a maneira como enxergo a vida.

Voo Cancelado

Saio da filial sob forte chuva. Pensamento positivo a caminho do aeroporto.

Horas passam. Vou dar uma volta, sou abordada e acabo entregando meu cartão de créditos a uma assinatura de revista. É. Eu estava precisando.

Horas passam.

Hora do embarque.

Voo cancelado. Chamaram meu nome e eu não escutei! Droga! Sempre quis ter meu nome sendo chamado pela voz desconhecida do aeroporto…

Ia pra Congonhas, fui parar em Guarulhos. Lá peguei um ônibus, ia pro hotel, mas parei em Congonhas. Antes de parar, sofri. Sofri com a música chata que não acabava nunca. Sofri com a falta de espaço. Sofri também ao perceber que no engarrafamento, o motorista lia “Tam nas Nuvens” e falava ao rádio e ainda assim dirigia.

Desci. Como vingança, não agradeci ou desejei boa noite.

Abinoama e Mônica

Já no Táxi, com cara de poucos amigos e lendo a revista (brinde por fazer a assinatura), não sei como respondi a conversa do taxista gordão. Pelo meu sotaque, percebeu que era carioca e falou de Parati. Dez anos pelos mares e agora no estresse de São Paulo. Falava do encantamento de Parati, mas se disse cansado de tanta tranquilidade. E quando falava, lembrou do francês louco de amor que saiu da França em seu veleiro de 22 mil pés (hã?) atrás da paratiense, que esteve em terras francesas tempos antes e que ele não conseguiu esquecer. Ele aportou no mar de Parati, tornou-se mecânico de veleiros. Abinoana e Mônica estão casados e ainda hoje vivem a vida e um amor por aquelas bandas.

Ah, agora entendi toda a mudança no meu roteiro: precisava conhecer essa história!

O taxista gordão gente boa, Abinoama e Mônica melhoraram meu humor. Fiz o check-in, já passava da meia noite, fiz uma sopa em pó com água quente na conveniência do hotel, consegui dividir a mesa e um bate-papo com um Curitibano baladeiro, e corri pra um banho quente. Dormi pensando no francês maluco.

Gastando o Inglês

Fui parar no Rhinology, horas em pé, milhares de otorrinolaringologistas e Neurocirurgiões perguntando por cureta de hipófise (hã?). Cansei de chamar especialistas pra resolverem o caso. Me sentindo a “modelete” (arrumadinha no estande e sem saber nada). Ainda bem que existe o rack de vídeo, mas aí perguntaram preço e lá vou eu catar especialista. No fim das contas, descobri que meu ouvido até que entende inglês e o pouco que a minha boca diz é compreensível. Mas, cansa! E amém, fui parar no aeroporto. Dessa vez de Congonhas.

O fio de Ariadne

Tentei adiantar minha volta ao Rio. Não deu. Algumas horas pela frente e fui até a LaSelva, onde muitos títulos se agarravam em minhas mãos. Muitos Best Sellers, aí sempre penso: fica indo atrás dos que os outros já leram e pode deixar pra trás histórias interessantes por ir pela cabeça alheia. Até que encontrei um fininho, Luis Fernando Verissimo, capa simples, porém laminada: Os Espiões.  Fui fisgada pelo envelope branco, letra trêmula e florzinha no lugar do pingo no “i” da sinopse. O mesmo que fisgou o protagonista. E fui junto com Verissimo e ao fio de Ariadne a uma curiosa cidade chamada Frondosa.

Toc toc no assoalho

Sou muito curiosa, adoro pessoas e suas muitas historias. Por isso procurei um lugar mais afastado e sem vizinhos ao lado para que eu pudesse me concentrar nos Espiões.

Começam os “toc toc” dos sapatos no chão a minha frente, e minha cabeça sai de Frondosa e vai seguindo os passos. Estão com pressa? Estão a trabalho? Alguém os espera? É um senhor e ele usa uma bolsa de viagem com temas femininos. É dele ou está sendo cavalheiro? Usa um brinco. É dele. Preconceituosa, penso. Volto ao livro.

Rio com Os Espiões. Surdo aos passos. Chegam vizinhos. Vozes desconhecidas do aeroporto anunciam voos. Vão-se os vizinhos.

Um toc toc mais seco, chega ao meu lado. Carrega um treco branco na mão. As mãos tem veias e sobra de pele. São mais velhas. Virginossasenhora! É um coroa e ele está lendo no tal do tablet. Não existem páginas ou saliva na ponta dos dedos, as letras simplesmente sobem como no final do jornal nacional. E aí percebo que velhas estão as minhas mãos ao tocar o marcador de página.

A espera

Saudade de casa, dos sobrinhos e do meu amor. Cansada. Um aperto no coração de quem quer estar logo em casa. Mesmo tendo ouvido a voz desconhecida do aeroporto dizendo que a aeronave já estava em solo. É que sempre dá merda. Oh dó gente!

Já em meu assento, ainda com Os Espiões, e o aviso de desligar aparelhos telefônicos, uma voz preocupada atrás de mim, me chamou a atenção. Era uma mãe que seguia com instruções medicamentosas e que depois pedia pra escutar a voz da filha ao telefone. Ao iniciar a comunicação: Oi filha! (Voz apaixonada). Foi interrompida por suas próprias palavras que diziam: Quer falar com o papai? Fala com a mamãe primeiro. (Voz de putaquepariu garota!) Oh dó gente!

Lembrei que não comprei o presente da minha mãe pelo domingo passado. E penso numa centrifuga de sucos. Lembro-me do Felipe na Loja Americanas dizendo: “sacanagem dar um faqueiro pra mãe”. Mas, ai eu penso que roupa e coisas de uso pessoal sempre ficam guardados no armário esperando a oportunidade certa. Hum… o livro do padre Fabio de Melo. Só de pensar naquela cara cheia de pó compacto com fundo branco e música de elevador pra vender cd já me dá raiva. “Mãe que que você quer ganhar?” Nada filha! Então tá, foi ela quem disse. Vou dar a centrifuga! Oh dó gente!

Desce o monitorzinho, é um comercial da própria Tam com a Ivete falando sobre ser mãe. O texto é lindo e ela se emociona ao dizer que o amor de mãe é um amor que não espera nada em troca. Ela diz: “Não precisa me agradecer. Não precisa por as mãos em meu rosto. Não precisa sorrir pra mim. A minha sorte é que ele (o filho) sorri pra mim.”

Mãe, então tá bom a centrifuga? E aí mãe de trás “tomô”? Entendeu?!

Tripulação, voo autorizado.

* O texto inicia em Florianópolis, onde estive acompanhando as gravações do vídeo institucional da empresa em que trabalho.

** Se cunhado não é parente, ex-cunhado é o que?

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Quando eu envelhecer

agosto 26, 2009

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Lembrarei com saudade de todas as nossas brincadeiras.  Lembrarei que a frustração de não ter tido um filho “macho” foi superada por ter tido uma caçula menina moleca. E que tentou me ensinar a colocar pipa no alto, e mesmo não conseguindo, se divertia a me ver sorrindo e sacudindo os braços pequenos e sempre magrelos que logo se cansavam e desistiam de manter o brinquedo no alto.

É piegas, mas agora escrevendo, parece que foi ontem. Nós dois. Bonés pra trás, enxada, pá e carrinho de mão. Pouco importava pra mim se a “brincadeira” era pesada, só queria estar perto.

Eu cresci, aprendi as minhas próprias brincadeiras e não me senti a vontade pra dividi-las. Chato isso. Mas, os valores já estavam enraizados e a essência da minha criação nunca se fez ausente. E acho que mesmo depois de “grande” consigo ver o desapontamento em pequenos flashes em minha memória, quando penso em agir diferentemente do que aprendi.

Costumo brincar e digo que tudo o que não presta em mim, eu herdei do meu pai. Tá, meu cabelo é “ruim”. Minha pele é oleosa e o meu nariz grande, sou teimosa, sofro de má circulação e ainda torço pro flamengo.

Besteira. A verdade é que tenho muito orgulho de ter herdado a dignidade de um homem gigante como o meu pai.

Quando eu envelhecer, quero contar aos meus filhos sobre o amor de pai pra filho. E vou contar pra eles da maneira que eu aprendi. Da maneira que ele me ensinou.

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Brigas jamais

janeiro 22, 2009

Ontem, li de um amigo a frase no MSN que dizia: quanto vale um homem para amar você?
Respondi que deveria valer muito. Ou nada. Mas aí, o homem correria o risco de não ser correspondido.
E na prática?! Será que é assim? Com quantas mulheres a gente esbarra (mulher quando ama ou acha que ama, sofre e divide isso até na fila do ônibus), convive ou conhece bem que se envolveram com meliantes? Sei lá… as vezes acho que o mundo está muito carente. Sedento por histórias de comédias românticas. E aí, acaba que qualquer cara ou coroa, recebe pulseirinha VIP pra fazer o que bem entende com a gente. Mas, uma coisa a minha vida de ex-solteira me ensinou: eles só fazem aquilo que a gente permite. Essa frase é clichê. Não estou aqui como dona da razão, ou como uma que nunca caiu nos braços de um “cafa”. Não é isso. Nem de longe. Só que ouço histórias. Histórias de amigas, de amigas das minhas amigas, e que no final o objetivo é o mesmo. Ganhar a briga! Ganhar a parada!
Uma coisa é você reconhecer seu erro e ir atrás, se desculpar. Outra, é você ser vítima e ainda assim achar que errou no meio do caminho. E ir atrás. Brigar, brigar e brigar.

Amor é deixar o outro seguir.
É se amar mais.
É não impor regras.
É perceber que a frase “eu te amo” não simboliza uma algema. Pois, pode ser verdadeira e não ser pra sempre.

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Fale alto

janeiro 22, 2009

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Nunca entendi a maneira como o tom de voz das pessoas, inclusive o meu, se altera, quando as palavras são agressivas. Queremos ser os primeiros a serem ouvidos. Queremos ser quem fala mais alto…

Todo ano, todo final de ano, recebo o pedido de criar textos para camisetas. E é claro que acabo inserindo neles, meus votos pro ano que virá.
Durante o processo criativo encontrei uma frase de Shakespeare que dizia: “Fale baixo se falar de amor” – acredito que seja por seus contos de romances proibidos.
Me propus criar sobre, e é assim que desejo lançar o “Caneta digital”:

Fale alto se falar de amor.
Grite, se preciso for.
Abrace. Sorria mais.
Mostre o seu jeito de fazer acontecer.
E em 2009, faça do mundo um lugar feliz de se viver.