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Quando eu envelhecer

agosto 26, 2009

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Lembrarei com saudade de todas as nossas brincadeiras.  Lembrarei que a frustração de não ter tido um filho “macho” foi superada por ter tido uma caçula menina moleca. E que tentou me ensinar a colocar pipa no alto, e mesmo não conseguindo, se divertia a me ver sorrindo e sacudindo os braços pequenos e sempre magrelos que logo se cansavam e desistiam de manter o brinquedo no alto.

É piegas, mas agora escrevendo, parece que foi ontem. Nós dois. Bonés pra trás, enxada, pá e carrinho de mão. Pouco importava pra mim se a “brincadeira” era pesada, só queria estar perto.

Eu cresci, aprendi as minhas próprias brincadeiras e não me senti a vontade pra dividi-las. Chato isso. Mas, os valores já estavam enraizados e a essência da minha criação nunca se fez ausente. E acho que mesmo depois de “grande” consigo ver o desapontamento em pequenos flashes em minha memória, quando penso em agir diferentemente do que aprendi.

Costumo brincar e digo que tudo o que não presta em mim, eu herdei do meu pai. Tá, meu cabelo é “ruim”. Minha pele é oleosa e o meu nariz grande, sou teimosa, sofro de má circulação e ainda torço pro flamengo.

Besteira. A verdade é que tenho muito orgulho de ter herdado a dignidade de um homem gigante como o meu pai.

Quando eu envelhecer, quero contar aos meus filhos sobre o amor de pai pra filho. E vou contar pra eles da maneira que eu aprendi. Da maneira que ele me ensinou.

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Dia internacional do Homem?

julho 15, 2009

Sim! Eles merecem.

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Algumas pessoas insistem em dizer que eles não servem pra nada! Outras dizem que são dispensáveis, pois já existem avanços na ciência para reprodução humana, e que já conseguiram inclusive reproduzir esperma em laboratório (porém, precisam dos cromossomos XY somente encontrados nos homens) e que potes, latas e vidros já podem ser abertos com a ajuda do “ABRIDOR ELÉTRICO OPEN STATION HAMILTON BEACH” (à venda naquele canal de televisão), mas esquecem que vem com manual de instrução, e só de pensar em ler, desisto da compra.

 Embora, alguns não mereçam dividir o mesmo planeta que nós-mulheres, a grande maioria é do bem. Atire a primeira pedra, a mulher que não sonha com aquela massagem nos pés, depois de um dia inteirinho de trabalho. E cá pra nós, eles fazem isso divinamente! Além disso, são eles os responsáveis pela parte boa do churrasco (a churrasqueira!), e por mim, podia ter todo dia! Assim, seríamos dispensadas da cozinha.

 Confesso ter pena deles (às vezes, somente às vezes). Confessa! Você é chata! Você é muito chata! Benhêee com que sapato eu vou? Fico melhor com preto brilho ou preto fosco? Acha que esse batom desfavorece a minha boca? Eu to muito gorda, né?!

Tenho pena, principalmente porque todas essas perguntas não têm resposta. Aliás, tem resposta. Mas essa só você sabe! Eu no lugar deles, ficaria muda!

 E diz pra mim, se tem coisa mais linda do que vê-los ninando nossas crias? Se fechar meus olhos, consigo imaginar direitinho um pai com um bebê no colo segurando seus dedinhos e olhando com aquela cara de bobo que encanta…

 Há controvérsias quanto à data. Alguns lugares citam 15/07 e em outros 20/11. Não consegui descobrir a certa, ou qual o motivo pelas escolhas no calendário. Mas acho que o dia do homem poderia ter muitas outras datas. Quantas e quantas descobertas, evoluções e conquistas não devemos a eles? Pense na história da humanidade e vamos perceber que apesar dos pesares (roncos e barrigões à parte) eles significam muito pra todas nós.

 Tenho certeza que o mundo sem eles, seria um grande saco! Seria sério e sem perna de jogador de futebol. Seria cheio de frescuras e sem coragem pra matar barata. Seria frio e sem fogueira.  Seria barulhento e com muitas mulheres querendo ter razão.

 Por nos aguentar, por endeusar a nossa existência, por ser diferente do que a gente gostaria (ainda bem), parabéns pelo seu dia!

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Os descendentes de Eva

julho 10, 2009

Meu pensamento é meio doido. Estou lendo um livro chamado Jules e Jim (virou filme em 1962, e no Brasil recebeu o nome de “Uma mulher para dois”). Fiquei confusa com a descrição de tanta liberdade sexual e sua cronologia, já que o início do livro data o ano de 1907. Como comprei o livro por acaso, em minha ida a um charmoso cinema de rua, acompanhando o Felipe a ver “Transformers 2” e como nunca tinha ouvido falar do livro, do filme ou dos autores, fui perguntar ao Grande Deus Google, e aí descobri que a obra possui dois pais! Tem o autor original que é o Roché (Que parece ter se inspirado em sua história pessoal de um triângulo amoroso pra escrever Jules e Jim), e tem  François Truffaut que passeava por Paris e encontrou as escritas de Roché num Sebo em 1950 e o transformou em filme, tornando a história e o nome de Roché mundialmente conhecidos.

Ai! Me confundi! Peraí! Voltando… à cronologia: O Google me disse que o Roché nasceu em 1874. Puta-que-o-pariu! Então tudo aquilo aconteceu meeeeeeesmo na época que Roché conta! Ô pessoal evoluído, esse europeu! Lembrei que minha bisavó nasceu em 1907 (mesmo ela inventando que o cartório do seu registro pegou fogo, e como ela casou fugida, por isso sem documentos, Nézinho (meu bisavô) inventou pro juiz que ela era de 1907, mas que ela era beeeeeeem mais nova), mesmo não sabendo o que aconteceu durante aquela fuga (meus familiares que me perdoem), não consigo lembrar de uma velhinha tão evoluída, como o que acontecia no ano de seu nascimento em Paris. Aí concluí que essa evolução sexual, só podia mesmo ser coisa de europeu, que minha bisa, em toda a sua fuga por aqueles sítios, cidadezinhas e meio do mato, não teria vivido coisas semelhantes a que estou lendo.

Engraçado que me choco mais com a facilidade que eles têm em aceitarem as coisas do que com os próprios fatos. Não, não vou contar o que acontece… se quiser posso te emprestar depois, mas devolve! Não consigo me desprender dos meus livros.

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Tá, mas até agora o título do post não está explicado. É, eu sei. Mas, já chego lá, ou pelo menos vou tentar explicar.
Percebi que a rampa que desço na estação de Triagem (todos os dias) tem o poder de me fazer pensar coisas estranhas. Hoje, descendo pra pegar ônibus e pensando na leitura interrompida, minha mente viajou e sabe-se lá porque a Eva (é, aquela expulsa do paraíso) se meteu nos meus pensamentos. Acho que foi porque ela era uma mulher à frente do seu tempo assim como todos os personagens do livro. Primeiro, porque foi a primeira do mundo. Segundo, porque abriu mão de toda a beleza do Jardim, desobedecendo a Deus e conversando com uma serpente (acho que no jardim já rolava uma erva queimada) que a fez comer o fruto proibido e dar (a maçã) pro Adão até serem finalmente expulsos do paraíso! Ehhh mulherzinha moderna!

Aí pensei: – Cara?! Nós estamos andando pra trás! Se Eva e Adão, eram os únicos humanos na Terra, e geraram filhos e filhas. E esses filhos e filhas também tiveram filhos e filhas, entende-se que eles procriaram entre irmãos!

 – Ai meus Deus, me perdoe se isso for contra os seus ensinamentos, prometo não descer mais aquela rampa de Triagem, é tudo culpa daquela rampa!

 É… preciso me tratar!

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Não é só uma lâmpada queimada

junho 16, 2009

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É a falta de cuidado.
É preguiça ou falta de vontade.
É sentir pontadas no estômago a cada vez que se aperta o interruptor.
É não se importar com o outro.
É se machucar.
É depender.
É esperar por uma atitude. É não tê-la.
É preferir o escuro.
É não querer olhar no rosto antes de dizer “boa noite”.
É hora de trocar a lâmpada e sair do escuro.

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Intimidade pra usar meia velha

junho 12, 2009

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 Coisa boa é ter com quem acordar, sem precisar se preocupar se a cara está amassada, se o cabelo está desgrenhado e poder abrir os olhos (mesmo cheios de remela) e tudo o que vê pela primeira vez no dia é um sorriso lindo que te faz ter certeza de que ele também, pouco se importa se a barba cresceu durante a noite ou se cinza desbotado não fica bem numa camiseta furada. 
Não importa também se ontem a discussão (por causa do que mesmo?) rendeu mais do que o assunto merecia. Nada mais importa.
A gente se ajeita numa cama pequena…

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“Tão vendendo ingresso pra ver “nego” morrer no osso…”

maio 4, 2009

trem

 Lá ia eu, com meu mau humor matutino, às 06h45 correndo pra tentar um lugarzinho no trem que sairia às 06h55. Plataforma cheia. Desço as escadas correndo, já tentando enxergar a minha frente qual a melhor passagem pra furar a multidão, quando ouço o jornaleiro aos berros dando as “melhores” matérias do dia (ops! do Meia Hora e Expresso): “Corno revoltado dá tiro e mata 2”, “Adriano Imperador leva toco de mulher Melancia mais uma vez”, “Monstra  mata filha drogada e vai arder no colo do capeta”. Tento fugir das informações e consigo entrar num vagão. E é claro, não tinha mais um lugar sentado me esperando. Faço um esforço e tento afastar minha leitura dos jornais alheios. Ligo meu MP3 que está tocando Roberta Sá (“Tão vendendo ingresso pra ver “nego” morrer no osso…”) e saco o livro que estou lendo (Muito Longe de casa, Memórias de um menino-soldado) e me entretenho.  Só percebo que tem mais gente do que espaço quando preciso enxugar minhas lágrimas sob os óculos escuros e não consigo (É.. eu choro lendo). Mas, dou um jeitinho e consigo empurrar um aqui, puxar meu braço por ali (ops, desculpa aí moço!) e continuo minha leitura. Envolvo-me novamente, até que já perdida, sem conseguir mensurar o tempo, tiro o fone de um ouvido e consigo identificar em meio a muito barulho, a voz do maquinista: – Próxima estação, Engenho de Dentro. Desembarque…

Sem ter tempo de pensar, me segurar ou ter qualquer outro tipo de atitude, um mar de gente invade o meu espaço! ÉEEEE, o meu espaço, eu que acordei cedo, que corri, que me agarrei aquele ferro com todas as minhas forças… E agora, como eu leio?!

O trem estava simplesmente lotado. Uns queriam entrar, mas não cabia. Outros queriam sair, mas não conseguiam. Muita gente sentada com cara de paisagem enquanto o restante da galera se espremia entre pessoas e bolsas, muitas bolsas (aliás, que tanto esse povo carrega bolsa? E, ô gentinha que não segura bolsa, pensei). Olhei pra porta e tive a visão do inferno, populares se amassando, e num empurra-empurra que acabou impedindo o fechamento das portas, por sorte não tiveram os chicotinhos da SuperVia. E pasmem!  Eles, (os populares) sorriam. Mas riam do que, minha gente? Riam ué! Não tinham o que fazer e riam da própria derrota. E tinha gente que se recostava no ombro de desconhecidos e riam juntos. E eu pensando: Mas que porra! Qual foi a parte que eu perdi?

Não dava pra levantar o pé e depois tomar posse do mesmo lugar, outro pé,de outra pessoa, o já teria feito.

Meus fones já tinham caído fazia tempo, no livro parei na parte em que o Ishmael (autor do livro) compara os trens de Nova York aos de Serra Leoa, ele disse que os trens na terra dele, são mais animados. Isso porque ele não viu os nossos.  Animação pura. U-hu!

-Próxima estação:  Méier!

Agora eu tenho motivo pra rir. Tenho meu ferro de volta! E ele é tooooooodo meu!  

As pessoas voltam aos seus jornais, agora um pouco amassados, mas ainda são legíveis. Uns fazem uns comentários. Outro balança a cabeça positivamente. Positivamente?! Mas ele está lendo o Expresso!

 Coloco meus fones. Preciso me acalmar… Bob Marley sempre me deixa com uma visão positiva da vida.

“Don’t worry about a thing,
‘Cause every little thing is gonna be alright.
Singin’: “Don’t worry about a thing,
‘Cause every little thing gonna be alright!”

-Próxima Estação: São Francisco Xavier.É a minha…

 

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Essa moça tá diferente…

abril 30, 2009

felicidade

 

 

Ele não sabe o mal que foi desfeito.

Está ocupado demais com suas próprias lamentações e por isso não contempla tal plenitude. Sempre foi assim. Se eu tivesse a chance, teria lhe oferecido um conselho: “ame-a! Simplesmente a ame. E tenha isso como uma prática diária, como da moça que rega as plantas na janela. Todo os dias de sua vida, ou até quando você realmente a amar e desejar sua presença”. Mas, ele não deixou. Se manteve distante. Talvez, longe dele mesmo.

Agora, é tarde. Ela mudou. Na verdade, se recuperou. Tomou de volta o prazer da vida.

Olhar intenso, enxerga a alma.

Anda serena e feliz. Sorrisos e conversas. As sobrancelhas armadas não são mais usadas como escudo. A gente chega perto, e comemora  junto planos e desapegos.

Que bom saber…