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Quando eu envelhecer

agosto 26, 2009

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Lembrarei com saudade de todas as nossas brincadeiras.  Lembrarei que a frustração de não ter tido um filho “macho” foi superada por ter tido uma caçula menina moleca. E que tentou me ensinar a colocar pipa no alto, e mesmo não conseguindo, se divertia a me ver sorrindo e sacudindo os braços pequenos e sempre magrelos que logo se cansavam e desistiam de manter o brinquedo no alto.

É piegas, mas agora escrevendo, parece que foi ontem. Nós dois. Bonés pra trás, enxada, pá e carrinho de mão. Pouco importava pra mim se a “brincadeira” era pesada, só queria estar perto.

Eu cresci, aprendi as minhas próprias brincadeiras e não me senti a vontade pra dividi-las. Chato isso. Mas, os valores já estavam enraizados e a essência da minha criação nunca se fez ausente. E acho que mesmo depois de “grande” consigo ver o desapontamento em pequenos flashes em minha memória, quando penso em agir diferentemente do que aprendi.

Costumo brincar e digo que tudo o que não presta em mim, eu herdei do meu pai. Tá, meu cabelo é “ruim”. Minha pele é oleosa e o meu nariz grande, sou teimosa, sofro de má circulação e ainda torço pro flamengo.

Besteira. A verdade é que tenho muito orgulho de ter herdado a dignidade de um homem gigante como o meu pai.

Quando eu envelhecer, quero contar aos meus filhos sobre o amor de pai pra filho. E vou contar pra eles da maneira que eu aprendi. Da maneira que ele me ensinou.

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6 comentários

  1. Marcelle,

    muito bonito seu reconhecimento parabéns!!nem todos reconhecem isso e poucos acreditam que herdamos muitas coisas de nossos pais…

    Bj


  2. Ai amiga…. que LINDO! chorei…..
    tô mulherzinha hoje rs


  3. Puxa amiga me fez chorar…que lindo.
    bjks


  4. Ai ai…. como choroooooooo…muito lindo irmã..te amo bjks


  5. Feliz de você que conseguiu passar para um papel o que ele significa pra você, com ele ainda em vida… te invejo, só consegui 1 ano após a partida do meu. Costumo dizer que meu tio é o Não-Carneiro mais Carneiro (sobrenome da família do meu pai, que ele conhece muio bem!) que conheço, e que mesmo com esse jeitão ‘não ligo’ deles, são de um coração absurdamente enorme!!!
    Parabéns, lindo demais… lembrei do meu e chorei com vocês!
    Passe no meu perfil, lá tem o que escrevi sobre meu pai.
    Beijos


  6. Nossa, esse deixou uma lagoa nos meus olhos… mas foi só um sisquinho…rs
    Amei seu texto.
    Como sempre genial!
    Não esquece torço pra um dia sair um livro.
    Quem sabe?!
    Bjocas



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