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Não me venha com mixaria

junho 17, 2013

10 centavos

Não meu amigo, não são apenas R$0,20

É a gasolina mais cara.

Os piores e mais caros carros do mundo.

As vias mais esburacadas com obras de maquiagem que não duram o tempo de uma chuva mais forte,

E sim, R$ 0,20 por viagem em ônibus lotados, com motoristas atuando em jornada dupla e sem o menor preparo emocional pra lidar com gente.

Não meu amigo, não são apenas R$0,20.

São os muitos Reais que você paga pelo seu plano de saúde, já que com a saúde pública que você também paga, você não pode contar.

São os 20, 40, 60 dias que você espera pra ser atendido na sua consulta pré-paga.

São os meses e anos de espera numa fila que não anda. Morre-se antes de que você seja ouvido.

E sim, R$ 0,20 meu e seu. Já são R$ 0,40

Não meu amigo, não são apenas R$ 0,20.

São as grades, as cercas, as câmeras e portaria 24 horas que você paga ao condomínio por uma segurança privada. Já que a segurança pública que você também paga não é competente.

É também o seguro do seu carro.

É também a escola do seu filho. Mas, se quisesse poderia entrar na fila pra pública que você também paga e se tivesse sorte conseguiria vaga pertinho de casa.

É também a previdência privada, pro seu futuro. Já que a que você também paga, não honrará o plano de saúde proporcional a sua idade.

É sim, R$ 0,20 que somados ao restante da passagem somam bilhões de Reais por ano e que em nada melhoram as condições de transporte no país.

Não são apenas R$ 0,20!

É a maior arrecadação de impostos do planeta.
São os bilhões destinados a eventos que em nada melhorarão as condições em que vivemos.
É a PEC 37.
É o salário minimo que não paga a passagem pro lazer.

Então meu amigo, não me venha com mixaria!

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Mãos atadas…

abril 30, 2012

 

Hoje, mais uma vez, assisti a violência contra a mulher. Ao contrário dela que gritava na tentativa frustrada de cessar o agressor, sofri calada.
Ela, ali no chão não tinha muito que perder e o escândalo era sua última cartada. Outros no balcão de um fétido boteco se quer ouviram seus gritos. Dois homens na mesma calçada a poucos metros de distância pareciam se perguntar o que ela tinha aprontado. Na minha cabeça e corpo, pude sentir a revolta e escolhi deixar de olhar para o lado, por medo. Medo dos meus impulsos e suas prováveis conseqüências. Ela, aparente moradora de rua e ainda assim mulher. Ele, covarde.
A pergunta que me fazia era diferente das dos outros dois. Era algo como: O que ele acha que está fazendo? Ele acha que alguma coisa será consertada após este absurdo?
Quantas vezes ainda me calarei por medo? Qual o estrago que a minha omissão permitirá?
Quantos ainda acreditam que elas mereçam passar por isso? Quantos simplesmente não ouvem ou ignoram cenas como esta por se tratar de pura normalidade?
O que me coloca em posição de cúmplice da covardia é que embora meus pensamentos fossem distintos dos demais, eu me calei e ela continuou sendo agredida e humilhada. Eu não conseguiria definir o que pode doer mais.

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Curtas II

maio 15, 2010

Certa vez, um tal Bonito Brasil** me disse que não era possível eu ter tanta coisa pra contar só de ir e voltar pra escola num ônibus. O que me difere dele e de outras pessoas, é a maneira como enxergo a vida.

Voo Cancelado

Saio da filial sob forte chuva. Pensamento positivo a caminho do aeroporto.

Horas passam. Vou dar uma volta, sou abordada e acabo entregando meu cartão de créditos a uma assinatura de revista. É. Eu estava precisando.

Horas passam.

Hora do embarque.

Voo cancelado. Chamaram meu nome e eu não escutei! Droga! Sempre quis ter meu nome sendo chamado pela voz desconhecida do aeroporto…

Ia pra Congonhas, fui parar em Guarulhos. Lá peguei um ônibus, ia pro hotel, mas parei em Congonhas. Antes de parar, sofri. Sofri com a música chata que não acabava nunca. Sofri com a falta de espaço. Sofri também ao perceber que no engarrafamento, o motorista lia “Tam nas Nuvens” e falava ao rádio e ainda assim dirigia.

Desci. Como vingança, não agradeci ou desejei boa noite.

Abinoama e Mônica

Já no Táxi, com cara de poucos amigos e lendo a revista (brinde por fazer a assinatura), não sei como respondi a conversa do taxista gordão. Pelo meu sotaque, percebeu que era carioca e falou de Parati. Dez anos pelos mares e agora no estresse de São Paulo. Falava do encantamento de Parati, mas se disse cansado de tanta tranquilidade. E quando falava, lembrou do francês louco de amor que saiu da França em seu veleiro de 22 mil pés (hã?) atrás da paratiense, que esteve em terras francesas tempos antes e que ele não conseguiu esquecer. Ele aportou no mar de Parati, tornou-se mecânico de veleiros. Abinoana e Mônica estão casados e ainda hoje vivem a vida e um amor por aquelas bandas.

Ah, agora entendi toda a mudança no meu roteiro: precisava conhecer essa história!

O taxista gordão gente boa, Abinoama e Mônica melhoraram meu humor. Fiz o check-in, já passava da meia noite, fiz uma sopa em pó com água quente na conveniência do hotel, consegui dividir a mesa e um bate-papo com um Curitibano baladeiro, e corri pra um banho quente. Dormi pensando no francês maluco.

Gastando o Inglês

Fui parar no Rhinology, horas em pé, milhares de otorrinolaringologistas e Neurocirurgiões perguntando por cureta de hipófise (hã?). Cansei de chamar especialistas pra resolverem o caso. Me sentindo a “modelete” (arrumadinha no estande e sem saber nada). Ainda bem que existe o rack de vídeo, mas aí perguntaram preço e lá vou eu catar especialista. No fim das contas, descobri que meu ouvido até que entende inglês e o pouco que a minha boca diz é compreensível. Mas, cansa! E amém, fui parar no aeroporto. Dessa vez de Congonhas.

O fio de Ariadne

Tentei adiantar minha volta ao Rio. Não deu. Algumas horas pela frente e fui até a LaSelva, onde muitos títulos se agarravam em minhas mãos. Muitos Best Sellers, aí sempre penso: fica indo atrás dos que os outros já leram e pode deixar pra trás histórias interessantes por ir pela cabeça alheia. Até que encontrei um fininho, Luis Fernando Verissimo, capa simples, porém laminada: Os Espiões.  Fui fisgada pelo envelope branco, letra trêmula e florzinha no lugar do pingo no “i” da sinopse. O mesmo que fisgou o protagonista. E fui junto com Verissimo e ao fio de Ariadne a uma curiosa cidade chamada Frondosa.

Toc toc no assoalho

Sou muito curiosa, adoro pessoas e suas muitas historias. Por isso procurei um lugar mais afastado e sem vizinhos ao lado para que eu pudesse me concentrar nos Espiões.

Começam os “toc toc” dos sapatos no chão a minha frente, e minha cabeça sai de Frondosa e vai seguindo os passos. Estão com pressa? Estão a trabalho? Alguém os espera? É um senhor e ele usa uma bolsa de viagem com temas femininos. É dele ou está sendo cavalheiro? Usa um brinco. É dele. Preconceituosa, penso. Volto ao livro.

Rio com Os Espiões. Surdo aos passos. Chegam vizinhos. Vozes desconhecidas do aeroporto anunciam voos. Vão-se os vizinhos.

Um toc toc mais seco, chega ao meu lado. Carrega um treco branco na mão. As mãos tem veias e sobra de pele. São mais velhas. Virginossasenhora! É um coroa e ele está lendo no tal do tablet. Não existem páginas ou saliva na ponta dos dedos, as letras simplesmente sobem como no final do jornal nacional. E aí percebo que velhas estão as minhas mãos ao tocar o marcador de página.

A espera

Saudade de casa, dos sobrinhos e do meu amor. Cansada. Um aperto no coração de quem quer estar logo em casa. Mesmo tendo ouvido a voz desconhecida do aeroporto dizendo que a aeronave já estava em solo. É que sempre dá merda. Oh dó gente!

Já em meu assento, ainda com Os Espiões, e o aviso de desligar aparelhos telefônicos, uma voz preocupada atrás de mim, me chamou a atenção. Era uma mãe que seguia com instruções medicamentosas e que depois pedia pra escutar a voz da filha ao telefone. Ao iniciar a comunicação: Oi filha! (Voz apaixonada). Foi interrompida por suas próprias palavras que diziam: Quer falar com o papai? Fala com a mamãe primeiro. (Voz de putaquepariu garota!) Oh dó gente!

Lembrei que não comprei o presente da minha mãe pelo domingo passado. E penso numa centrifuga de sucos. Lembro-me do Felipe na Loja Americanas dizendo: “sacanagem dar um faqueiro pra mãe”. Mas, ai eu penso que roupa e coisas de uso pessoal sempre ficam guardados no armário esperando a oportunidade certa. Hum… o livro do padre Fabio de Melo. Só de pensar naquela cara cheia de pó compacto com fundo branco e música de elevador pra vender cd já me dá raiva. “Mãe que que você quer ganhar?” Nada filha! Então tá, foi ela quem disse. Vou dar a centrifuga! Oh dó gente!

Desce o monitorzinho, é um comercial da própria Tam com a Ivete falando sobre ser mãe. O texto é lindo e ela se emociona ao dizer que o amor de mãe é um amor que não espera nada em troca. Ela diz: “Não precisa me agradecer. Não precisa por as mãos em meu rosto. Não precisa sorrir pra mim. A minha sorte é que ele (o filho) sorri pra mim.”

Mãe, então tá bom a centrifuga? E aí mãe de trás “tomô”? Entendeu?!

Tripulação, voo autorizado.

* O texto inicia em Florianópolis, onde estive acompanhando as gravações do vídeo institucional da empresa em que trabalho.

** Se cunhado não é parente, ex-cunhado é o que?

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Curtas

abril 30, 2010

 

Um dia depois do dia internacional da mulher, ouço um cidadão no trem reclamando o seguinte:

“Depois que a mulher entrou no mercado de trabalho. Isso aqui virou um inferno. Mundo de cão! Se ela ganha R$1 a mais que o marido então… “

Ele está com a razão? Estamos virando arrogantes e prepotentes ou ele simplesmente não está gostando nada de nos ver abocanhar uma grande parte do mercado?

O que você acha?

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 Episódio da cirurgia de varizes

Veste esse avental com a frente nas costas que você já vai pra sala.

Foi assim que a enfermeira me deixou. Mas, se é pra vestir com as costas na frente, porque não fazem o avental ao contrário? Ai aquele negócio no meu pescoço.

Dois candangos entram no quarto com uma maca, mas eu podia muito bem ir andando.

Minha mãe solta: Vou perguntar porque ela vai ficar com vergonha – É pra ela ir com calcinha ou sem?

E eles tentando demonstrar seriedade: Sem calcinha!

E na minha cabeça já toca: “De, De saiiiinhaaaa!”

Subo na maca, “seeeeeem calciiiiiinha” e vou parar num elevador cheio de gente!

Quando acordei tinha as pernas de múmia e ainda estava sem calcinha. Não me lembro de ter deitado ali.

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 Conversa com meu sobrinho

-Eu te amo!

-Você me ama?

-Muito não!

-Só um pouquinho? Não é beeem pouquinho não, né?

-(Cara de desespero… silêncio… mão coçando o olho) Cadê meu presente de aniversário?! Pronto falei!

-Já te dei!

-Ah é! (Cara de decepção)

  Será que se eu tivesse um presente na manga ele me amaria mais?

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Largue-se!

março 20, 2010

Nasci e ela já havia falecido há 11 anos. Não sei ao certo quando a descobri, mas lembro de a ter sorvido muitas vezes através de cópias de fitas k7. Vi seu rosto pela primeira vez, estampado em PB em uma camiseta de malha pendurada numa barraca de camelô. Ficou enorme em mim, mesmo assim a usei muitas vezes. E vestia com orgulho, como se ela e eu fizéssemos parte de um mesmo time. Como se por através daquela camiseta pudessem me identificar como pertencente de uma tribo. Da tribo dela.

O tempo passou, eu já não a ouço tanto assim. Mas, sempre mantive a ideia de que ela tinha sido uma mulher poderosa. Que esteve sempre a frente de suas bandas e que quebrava barreiras por ser uma mulher com uma voz daquelas.  E isso ninguém me contou. Eu sempre achei com base nas poucas poses que vi em fotografias ou simplesmente na voz.

Esbarrei com o livro em janeiro, estava com minhas irmãs e quando identifiquei a capa gritei: É ela! É ela! É a biografia dela! Eu quero! É meu!
E a Nique só conseguiu dizer: Ahh… Linda! Mas, eu vi primeiro!

Sabe aquela ideia de criança de deixar o que é melhor pro final? Pois é, li todos os outros na frente para saborear  a Janis Joplin no final.

Resultado: Passei o livro todo com os sentimentos oscilando entre inveja por não ter visto nenhuma de suas fantásticas apresentações, e desapontada por achá-la em muitos momentos uma completa idiota e por isso briguei com ela praticamente o livro todo (Porra, Janis!)

Myra*, a retratou como imatura, insegura, ciumenta e invejosa. Contou coisas de alguém que queria demonstrar ser o que não era, alguém que fazia a linha do sexo livre e que pegou tudo quanto foi “garotinho” e que teve relações homossexuais. Alguém que se deixava usar e não se permitia ser amada. Foi uma fraca.

Filha de uma puta! Piranha! Acabou com a própria vida e com a minha admiração. Será que não leu “O Pequeno Príncipe”**?

Sempre usei uma frase (que dizem) dela: “Largue-se e você será muito mais do que jamais sonhou ser.” E era isso. Era isso que acontecia no palco. Ela se largava e se transformava em algo tão grande que não era capaz de segurar a onda de não ser aquilo tudo fora dele.

Nunca fui de ter ídolos. Só gostava dela, ou daquilo que acreditava que ela fosse.  Não queira saber sobre seus ídolos, você pode se decepcionar. Acredite que ele(a) só faz um trabalho ótimo, e que se for buscar a fundo, ele(a)  pode ser muito pior do que você jamais sonhou ser.

*Myra  Friedman, Enterrada Viva – A Biografia de Janis Joplin
** Antoine de Saint-Exupéry – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

   

PS: O livro fala da vinda da Janis ao Brasil, mas ficou faltando falar do Serguei!! Ingrata! RS

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O primeiro do ano…

março 5, 2010

E já peço encarecidamente: NÃO ME ABANDONEM!

Eu sei que estou sumida, podem dar esporro. Eu aguento!

 Acontece que ando com verdadeira aversão a computador, e a ter que pensar nas horas vagas. Esse ano, decidi que vou me ocupar de aprendizado. Diferentemente, do restante da população brasileira, o meu ano não começa depois do carnaval, e sim depois que a convenção de vendas da minha empresa termina. E ela se foi!! Se foi! E dizem que agora só volta depois de dois anos! Amém gente! Amém banda!

Meu ano já pode começar. Oba!
Amanhã começo um curso de Criação com duração de 5 meses.
Segunda, volto a frequentar assiduamente o curso de inglês.
Terça, vou com a Cíntia fazer a matrícula do curso de Português que também durará 5 meses.
Ainda tem o de Excel, e o de comunicação em Marketing esperando uma vaguinha.
Preciso voltar pra academia, isso não é pra cuca, mas cuidar da saúde vai refletir nela também. Já marquei os exames pra cirurgia e também o cardiologista (vou eliminar o rio amazonas e seus afluentes das minhas pernas e deixar de sentir tantas dores).

Estão espero paciência… Pois,  pode ser que eu demore ainda mais a aparecer. Sinceramente, espero que não. Porque os textos ficam se criando na minha cabeça, sozinhos, e acabam morrendo lá mesmo porque o momento deles já passou! E eu sem dividir com ninguém, me emociono e rio sozinha! Vou andar com um caderninho a mão e fazer o possível para que meus devaneios não morram sem que eu os divida com vocês.

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Uma Copa, as olimpíadas… E eu só queria ir pra casa

outubro 9, 2009

supervia

Um dia após a confusão na estação de trem de Nilópolis (município do Estado do Rio de Janeiro), vou trabalhar e ouço uma voz nos alto-falantes comemorando as olimpíadas de 2016 e fazendo propaganda enganosa a respeito da Supervia.  Acho que só a Supervia fala bem da Supervia. Seria mais um dia normal de trabalho e chuva, se não fosse a ligação do meu namorado pedindo pra eu ter cuidado ao ir pra casa, pois ”a chapa estava quente” (de novo) nas estações ferroviárias. Entrei no site do jornal O Dia e a informação foi confirmada, aos poucos meu ramal começou a tocar, as ligações tinham uma mesma pergunta: Como vamos embora? Eu já tinha traçado uma estratégia na minha cabeça – Ir com a Van da empresa até Triagem, pegar o Metrô, descer em Coelho Neto, pegar o “Frescão” integração para um lugar Tão Tão Distante Chamado Bangu. Já que chovia o dia todo, e todo carioca sabe que:  fez poça a Av. Brasil para. Todos concordaram que seria a melhor opção. E seria! Se o “meu Bangu” fosse no mesmo Bangu que a Cintia mora. Mas, o meu Bangu fica quase na “casa do Caio”. Saí da empresa pontualmente com a Van contratada às 17h40min. Peguei chuva, subi a rampa de Triagem, Esperei o Metrô. O Metrô foi e eu não. Esperei outro, ainda não foi dessa vez. Fui no terceiro e só consegui  porque o pescoço da Priscila estava ao alcance das minhas mãos (sim, ela está bem, obrigada!). As estações que faltavam foram diminuindo, o vagão feminino criando espaços, consegui segurar o ferro do meio, garotinho gordinho suarento se encostando, maravilha: Coelho Neto, amém!

Neste ponto nosso grupo se dividiu: duas optaram pelo transporte alternativo (Kombi que logo, logo, nosso prefeito Eduardo Paes vai criar uma licitação pra “organizar”) e as outras duas bestas seguiram rumo ao “Frescão”.

Não, eu não sei aonde pega o ônibus integração. Quem tem boca vai a Roma, imagine encontrar a fila do “Frescão”. Legal… A calçada está em obra, cheia de lama e: achei! A fila do Bangu fica logo ali, no meio da rua! Populares se espremiam como dava, mas pra minha felicidade a fila do meu Bangu era menor do que a fila do Campo Grande ou do Santa Cruz daquelas pessoas. Pense positivo: tem sempre alguém em pior situação do que a sua.  São em situações como esta que a gente vê que carioca é naturalmente debochado. Estávamos, todos na lama e na chuva e sempre que chegava algum “perdido”  perguntando: Bangu? Mais de um respondia: É. O final da fila é pra lá. Mas, as caras dos que respondiam diziam: a-há se f…eu!  E as caras do que ouviam diziam: PQP! Me F…di!

Confusão da porra na porra da fila do Santa Cruz, empurraram a velhinha que galgava seu primeiro lugar na fila do nosso Bangu por direito de Estatuto, mas mexeu com um dos nossos mexeu com todo mundo: epaaaaaaaaaa! Não adiantou nada, a galera de Santa Cruz tinha mais pressa e se auto-sacaneou: furaram a fila e ainda exibiam largos sorrisos nas janelas embaçadas.

Ficamos com medo de o nosso ônibus chegar e acontecer o mesmo, como dizia um rapaz na fila: – Não é preciso se preocupar. Lá só aconteceu porque ninguém estudou no Leopoldina (Colégio público de Bangu| isso só foi uma piada). Resolvemos então, que seria melhor nos organizarmos, o combinado era cada um tomar conta da sua frente. Já tínhamos um líder que conseguiu por ordem na fila e a nossa já fazia até voltinha. Para nossa sorte o despachante era amigo de uma conterrânea da fila e ele tinha um rádio! E esse rádio orientou o motorista a só abrir a porta quando estivesse na frente da velhinha (a que foi empurrada). E assim foi e todo mundo entrou! Adoro tecnologia! Lá estava eu sentada, numa poltrona reclinável e acolchoada, no ar condicionado e ouvindo Djavan.  O relógio marcava 19h20min (arredondando pra mais) liguei pra Cintia de dentro do “Frescão” e ela já estava em casa! Hã?! Morri de inveja da Kombi dela, claro! E minha cara disse: PQP! Me f…di!

Eu entrei na minha casa às 20h35min. Não, não o meu Bangu não fica em outro estado, é ignorado (rimou, mas não era minha intenção). A Cintia tinha pedido pra eu ligar quando chegasse. Liguei pra ouvir: Só chegou agora?!  Fiquei puta chateada! Mas, aí lembrei que a Priscila mora num lugar que ela diz que é Bangu, mas a gente sabe que é bem depois!

Mas, e você o que tem a ver com isso? Nada!  Só quis dividir a minha indignação com um país, com uma cidade que faz promessas de melhorias com deadline para 2016, enquanto a sua população sofre todos os dias com a falta de transportes públicos decentes, vias inadequadas, falta de educação, saúde e segurança. Quer dizer que se a p…rra daquela m…da de envelope tivesse escrito Madrid, essas melhorias iriam pra gaveta? Mas, é benfeito pra um povo que lota Copacabana num dia de semana em horário de expediente para assistir shows gratuitos e acreditar que isso é cidadania!  Não. Não sou do contra e muito menos “reclamona”, mas se tivéssemos disposição para nos manifestarmos contra as picaretagens que aceitamos passivamente ao invés de nos deslocarmos para o “oba-oba”, quem sabe não seriamos levados a sério e a festa com o dinheiro público cessaria.

Como boa brasileira e trouxa que sou, mesmo sendo contra tudo isso, meus olhos marejaram ao ver o replay da abertura do envelope no noticiário da noite.  Então, perdoe-me! Eu não sei o que digo…

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