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maio 22, 2011
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Mais um ano que se passa…

dezembro 17, 2010

 

Engraçado, como a passagem de apenas um ano me tornou uma pessoa diferente.
Final de ano. Época de esvaziar as gavetas, de se sentir nostálgico, de relembrar do passado, rir e chorar.
Fiz isso no trabalho, achei objetos e palavras esquecidos. Compartilhei. Ri e os fiz rirem também.

Já em casa, em busca da carteira de trabalho, aproveitei pra buscar um pouco do meu passado pessoal. E, meio a papéis de cinema, teatro e bilhetinhos, me frustrei por não recordar a companhia ou o autor. O que me fez guardar tantas tralhas se após alguns anos eu não consigo lembrar da experiência. Cara, eu fui assistir Star Trek no cinema em 2005!!! Como isso é possível?? Eu não lembro do filme, eu não lembro o que eu fui fazer lá, já que eu ODEIO Guerra nas Estrelas. Acho bem provável, que a idéia era não ter que assistir ao filme… Pior que isso, eu fui a um show do Jorge Vercilo, e também guardei a porra do ingresso! Cara, eu guardei provas contra mim! Puuuuta que pariu! Eu fui a um Show do Jorge Vacilo o que já é péssimo, mas foi no OLIMPO, cara! Que merda eu tinha na cabeça?

E lá se foram os canhotos pro lixo, junto a uma pulseirinha do Water Planet, frases soltas sem assinatura, bibelôs de estante (que alguém, não sei quem, me deram sem saber que eu odeio!), CD de instalação da AOL só porque era do alvo do Câncer de Mama e eu apoio a causa… etc etc etc Até que achei uma rolha de Champanhe. E pensei: Quem diabos, guarda uma rolha? Ai, descobri que nessa anotei o ano da virada 2009/2010… E, isso gente, faz menos de um ano. Tudo bem que foi ótimo! Mas, pra que guardar?

 2010 foi um ano intenso de trabalho, de descobertas, de não me permitir mais aquilo que não estou afim, de dizer não, de elevar a voz, de baixar a voz, de dizer sim. Aprendi também, que não preciso ter fotos e legendas surpelativas para demonstrar felicidade. O que realmente importa ao longo da nossa vida, a gente não esquece. Já que essas experiências enchem o coração de alegria e a alma de conhecimento.

 Em 2011, direi adeus também as minhas listas de promessas para o ano novo. Me sinto como político em época de campanha eleitoral: prometo e nada faço. Então, pra não ter depressão no final do ano, não escrevo nem mais uma linha.

 Também, não vou lhes desejar feliz ano novo. Se está mesmo afim que o seu, seja um ano bom, levanta a bunda dessa cadeira e corre atrás. Pois, sinceramente não será a minha vontade ou os meus votos que o tornará mais ou menos feliz.

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Curtas II

maio 15, 2010

Certa vez, um tal Bonito Brasil** me disse que não era possível eu ter tanta coisa pra contar só de ir e voltar pra escola num ônibus. O que me difere dele e de outras pessoas, é a maneira como enxergo a vida.

Voo Cancelado

Saio da filial sob forte chuva. Pensamento positivo a caminho do aeroporto.

Horas passam. Vou dar uma volta, sou abordada e acabo entregando meu cartão de créditos a uma assinatura de revista. É. Eu estava precisando.

Horas passam.

Hora do embarque.

Voo cancelado. Chamaram meu nome e eu não escutei! Droga! Sempre quis ter meu nome sendo chamado pela voz desconhecida do aeroporto…

Ia pra Congonhas, fui parar em Guarulhos. Lá peguei um ônibus, ia pro hotel, mas parei em Congonhas. Antes de parar, sofri. Sofri com a música chata que não acabava nunca. Sofri com a falta de espaço. Sofri também ao perceber que no engarrafamento, o motorista lia “Tam nas Nuvens” e falava ao rádio e ainda assim dirigia.

Desci. Como vingança, não agradeci ou desejei boa noite.

Abinoama e Mônica

Já no Táxi, com cara de poucos amigos e lendo a revista (brinde por fazer a assinatura), não sei como respondi a conversa do taxista gordão. Pelo meu sotaque, percebeu que era carioca e falou de Parati. Dez anos pelos mares e agora no estresse de São Paulo. Falava do encantamento de Parati, mas se disse cansado de tanta tranquilidade. E quando falava, lembrou do francês louco de amor que saiu da França em seu veleiro de 22 mil pés (hã?) atrás da paratiense, que esteve em terras francesas tempos antes e que ele não conseguiu esquecer. Ele aportou no mar de Parati, tornou-se mecânico de veleiros. Abinoana e Mônica estão casados e ainda hoje vivem a vida e um amor por aquelas bandas.

Ah, agora entendi toda a mudança no meu roteiro: precisava conhecer essa história!

O taxista gordão gente boa, Abinoama e Mônica melhoraram meu humor. Fiz o check-in, já passava da meia noite, fiz uma sopa em pó com água quente na conveniência do hotel, consegui dividir a mesa e um bate-papo com um Curitibano baladeiro, e corri pra um banho quente. Dormi pensando no francês maluco.

Gastando o Inglês

Fui parar no Rhinology, horas em pé, milhares de otorrinolaringologistas e Neurocirurgiões perguntando por cureta de hipófise (hã?). Cansei de chamar especialistas pra resolverem o caso. Me sentindo a “modelete” (arrumadinha no estande e sem saber nada). Ainda bem que existe o rack de vídeo, mas aí perguntaram preço e lá vou eu catar especialista. No fim das contas, descobri que meu ouvido até que entende inglês e o pouco que a minha boca diz é compreensível. Mas, cansa! E amém, fui parar no aeroporto. Dessa vez de Congonhas.

O fio de Ariadne

Tentei adiantar minha volta ao Rio. Não deu. Algumas horas pela frente e fui até a LaSelva, onde muitos títulos se agarravam em minhas mãos. Muitos Best Sellers, aí sempre penso: fica indo atrás dos que os outros já leram e pode deixar pra trás histórias interessantes por ir pela cabeça alheia. Até que encontrei um fininho, Luis Fernando Verissimo, capa simples, porém laminada: Os Espiões.  Fui fisgada pelo envelope branco, letra trêmula e florzinha no lugar do pingo no “i” da sinopse. O mesmo que fisgou o protagonista. E fui junto com Verissimo e ao fio de Ariadne a uma curiosa cidade chamada Frondosa.

Toc toc no assoalho

Sou muito curiosa, adoro pessoas e suas muitas historias. Por isso procurei um lugar mais afastado e sem vizinhos ao lado para que eu pudesse me concentrar nos Espiões.

Começam os “toc toc” dos sapatos no chão a minha frente, e minha cabeça sai de Frondosa e vai seguindo os passos. Estão com pressa? Estão a trabalho? Alguém os espera? É um senhor e ele usa uma bolsa de viagem com temas femininos. É dele ou está sendo cavalheiro? Usa um brinco. É dele. Preconceituosa, penso. Volto ao livro.

Rio com Os Espiões. Surdo aos passos. Chegam vizinhos. Vozes desconhecidas do aeroporto anunciam voos. Vão-se os vizinhos.

Um toc toc mais seco, chega ao meu lado. Carrega um treco branco na mão. As mãos tem veias e sobra de pele. São mais velhas. Virginossasenhora! É um coroa e ele está lendo no tal do tablet. Não existem páginas ou saliva na ponta dos dedos, as letras simplesmente sobem como no final do jornal nacional. E aí percebo que velhas estão as minhas mãos ao tocar o marcador de página.

A espera

Saudade de casa, dos sobrinhos e do meu amor. Cansada. Um aperto no coração de quem quer estar logo em casa. Mesmo tendo ouvido a voz desconhecida do aeroporto dizendo que a aeronave já estava em solo. É que sempre dá merda. Oh dó gente!

Já em meu assento, ainda com Os Espiões, e o aviso de desligar aparelhos telefônicos, uma voz preocupada atrás de mim, me chamou a atenção. Era uma mãe que seguia com instruções medicamentosas e que depois pedia pra escutar a voz da filha ao telefone. Ao iniciar a comunicação: Oi filha! (Voz apaixonada). Foi interrompida por suas próprias palavras que diziam: Quer falar com o papai? Fala com a mamãe primeiro. (Voz de putaquepariu garota!) Oh dó gente!

Lembrei que não comprei o presente da minha mãe pelo domingo passado. E penso numa centrifuga de sucos. Lembro-me do Felipe na Loja Americanas dizendo: “sacanagem dar um faqueiro pra mãe”. Mas, ai eu penso que roupa e coisas de uso pessoal sempre ficam guardados no armário esperando a oportunidade certa. Hum… o livro do padre Fabio de Melo. Só de pensar naquela cara cheia de pó compacto com fundo branco e música de elevador pra vender cd já me dá raiva. “Mãe que que você quer ganhar?” Nada filha! Então tá, foi ela quem disse. Vou dar a centrifuga! Oh dó gente!

Desce o monitorzinho, é um comercial da própria Tam com a Ivete falando sobre ser mãe. O texto é lindo e ela se emociona ao dizer que o amor de mãe é um amor que não espera nada em troca. Ela diz: “Não precisa me agradecer. Não precisa por as mãos em meu rosto. Não precisa sorrir pra mim. A minha sorte é que ele (o filho) sorri pra mim.”

Mãe, então tá bom a centrifuga? E aí mãe de trás “tomô”? Entendeu?!

Tripulação, voo autorizado.

* O texto inicia em Florianópolis, onde estive acompanhando as gravações do vídeo institucional da empresa em que trabalho.

** Se cunhado não é parente, ex-cunhado é o que?

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Curtas

abril 30, 2010

 

Um dia depois do dia internacional da mulher, ouço um cidadão no trem reclamando o seguinte:

“Depois que a mulher entrou no mercado de trabalho. Isso aqui virou um inferno. Mundo de cão! Se ela ganha R$1 a mais que o marido então… “

Ele está com a razão? Estamos virando arrogantes e prepotentes ou ele simplesmente não está gostando nada de nos ver abocanhar uma grande parte do mercado?

O que você acha?

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 Episódio da cirurgia de varizes

Veste esse avental com a frente nas costas que você já vai pra sala.

Foi assim que a enfermeira me deixou. Mas, se é pra vestir com as costas na frente, porque não fazem o avental ao contrário? Ai aquele negócio no meu pescoço.

Dois candangos entram no quarto com uma maca, mas eu podia muito bem ir andando.

Minha mãe solta: Vou perguntar porque ela vai ficar com vergonha – É pra ela ir com calcinha ou sem?

E eles tentando demonstrar seriedade: Sem calcinha!

E na minha cabeça já toca: “De, De saiiiinhaaaa!”

Subo na maca, “seeeeeem calciiiiiinha” e vou parar num elevador cheio de gente!

Quando acordei tinha as pernas de múmia e ainda estava sem calcinha. Não me lembro de ter deitado ali.

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 Conversa com meu sobrinho

-Eu te amo!

-Você me ama?

-Muito não!

-Só um pouquinho? Não é beeem pouquinho não, né?

-(Cara de desespero… silêncio… mão coçando o olho) Cadê meu presente de aniversário?! Pronto falei!

-Já te dei!

-Ah é! (Cara de decepção)

  Será que se eu tivesse um presente na manga ele me amaria mais?

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Largue-se!

março 20, 2010

Nasci e ela já havia falecido há 11 anos. Não sei ao certo quando a descobri, mas lembro de a ter sorvido muitas vezes através de cópias de fitas k7. Vi seu rosto pela primeira vez, estampado em PB em uma camiseta de malha pendurada numa barraca de camelô. Ficou enorme em mim, mesmo assim a usei muitas vezes. E vestia com orgulho, como se ela e eu fizéssemos parte de um mesmo time. Como se por através daquela camiseta pudessem me identificar como pertencente de uma tribo. Da tribo dela.

O tempo passou, eu já não a ouço tanto assim. Mas, sempre mantive a ideia de que ela tinha sido uma mulher poderosa. Que esteve sempre a frente de suas bandas e que quebrava barreiras por ser uma mulher com uma voz daquelas.  E isso ninguém me contou. Eu sempre achei com base nas poucas poses que vi em fotografias ou simplesmente na voz.

Esbarrei com o livro em janeiro, estava com minhas irmãs e quando identifiquei a capa gritei: É ela! É ela! É a biografia dela! Eu quero! É meu!
E a Nique só conseguiu dizer: Ahh… Linda! Mas, eu vi primeiro!

Sabe aquela ideia de criança de deixar o que é melhor pro final? Pois é, li todos os outros na frente para saborear  a Janis Joplin no final.

Resultado: Passei o livro todo com os sentimentos oscilando entre inveja por não ter visto nenhuma de suas fantásticas apresentações, e desapontada por achá-la em muitos momentos uma completa idiota e por isso briguei com ela praticamente o livro todo (Porra, Janis!)

Myra*, a retratou como imatura, insegura, ciumenta e invejosa. Contou coisas de alguém que queria demonstrar ser o que não era, alguém que fazia a linha do sexo livre e que pegou tudo quanto foi “garotinho” e que teve relações homossexuais. Alguém que se deixava usar e não se permitia ser amada. Foi uma fraca.

Filha de uma puta! Piranha! Acabou com a própria vida e com a minha admiração. Será que não leu “O Pequeno Príncipe”**?

Sempre usei uma frase (que dizem) dela: “Largue-se e você será muito mais do que jamais sonhou ser.” E era isso. Era isso que acontecia no palco. Ela se largava e se transformava em algo tão grande que não era capaz de segurar a onda de não ser aquilo tudo fora dele.

Nunca fui de ter ídolos. Só gostava dela, ou daquilo que acreditava que ela fosse.  Não queira saber sobre seus ídolos, você pode se decepcionar. Acredite que ele(a) só faz um trabalho ótimo, e que se for buscar a fundo, ele(a)  pode ser muito pior do que você jamais sonhou ser.

*Myra  Friedman, Enterrada Viva – A Biografia de Janis Joplin
** Antoine de Saint-Exupéry – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

   

PS: O livro fala da vinda da Janis ao Brasil, mas ficou faltando falar do Serguei!! Ingrata! RS

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O primeiro do ano…

março 5, 2010

E já peço encarecidamente: NÃO ME ABANDONEM!

Eu sei que estou sumida, podem dar esporro. Eu aguento!

 Acontece que ando com verdadeira aversão a computador, e a ter que pensar nas horas vagas. Esse ano, decidi que vou me ocupar de aprendizado. Diferentemente, do restante da população brasileira, o meu ano não começa depois do carnaval, e sim depois que a convenção de vendas da minha empresa termina. E ela se foi!! Se foi! E dizem que agora só volta depois de dois anos! Amém gente! Amém banda!

Meu ano já pode começar. Oba!
Amanhã começo um curso de Criação com duração de 5 meses.
Segunda, volto a frequentar assiduamente o curso de inglês.
Terça, vou com a Cíntia fazer a matrícula do curso de Português que também durará 5 meses.
Ainda tem o de Excel, e o de comunicação em Marketing esperando uma vaguinha.
Preciso voltar pra academia, isso não é pra cuca, mas cuidar da saúde vai refletir nela também. Já marquei os exames pra cirurgia e também o cardiologista (vou eliminar o rio amazonas e seus afluentes das minhas pernas e deixar de sentir tantas dores).

Estão espero paciência… Pois,  pode ser que eu demore ainda mais a aparecer. Sinceramente, espero que não. Porque os textos ficam se criando na minha cabeça, sozinhos, e acabam morrendo lá mesmo porque o momento deles já passou! E eu sem dividir com ninguém, me emociono e rio sozinha! Vou andar com um caderninho a mão e fazer o possível para que meus devaneios não morram sem que eu os divida com vocês.

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Uma Copa, as olimpíadas… E eu só queria ir pra casa

outubro 9, 2009

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Um dia após a confusão na estação de trem de Nilópolis (município do Estado do Rio de Janeiro), vou trabalhar e ouço uma voz nos alto-falantes comemorando as olimpíadas de 2016 e fazendo propaganda enganosa a respeito da Supervia.  Acho que só a Supervia fala bem da Supervia. Seria mais um dia normal de trabalho e chuva, se não fosse a ligação do meu namorado pedindo pra eu ter cuidado ao ir pra casa, pois ”a chapa estava quente” (de novo) nas estações ferroviárias. Entrei no site do jornal O Dia e a informação foi confirmada, aos poucos meu ramal começou a tocar, as ligações tinham uma mesma pergunta: Como vamos embora? Eu já tinha traçado uma estratégia na minha cabeça – Ir com a Van da empresa até Triagem, pegar o Metrô, descer em Coelho Neto, pegar o “Frescão” integração para um lugar Tão Tão Distante Chamado Bangu. Já que chovia o dia todo, e todo carioca sabe que:  fez poça a Av. Brasil para. Todos concordaram que seria a melhor opção. E seria! Se o “meu Bangu” fosse no mesmo Bangu que a Cintia mora. Mas, o meu Bangu fica quase na “casa do Caio”. Saí da empresa pontualmente com a Van contratada às 17h40min. Peguei chuva, subi a rampa de Triagem, Esperei o Metrô. O Metrô foi e eu não. Esperei outro, ainda não foi dessa vez. Fui no terceiro e só consegui  porque o pescoço da Priscila estava ao alcance das minhas mãos (sim, ela está bem, obrigada!). As estações que faltavam foram diminuindo, o vagão feminino criando espaços, consegui segurar o ferro do meio, garotinho gordinho suarento se encostando, maravilha: Coelho Neto, amém!

Neste ponto nosso grupo se dividiu: duas optaram pelo transporte alternativo (Kombi que logo, logo, nosso prefeito Eduardo Paes vai criar uma licitação pra “organizar”) e as outras duas bestas seguiram rumo ao “Frescão”.

Não, eu não sei aonde pega o ônibus integração. Quem tem boca vai a Roma, imagine encontrar a fila do “Frescão”. Legal… A calçada está em obra, cheia de lama e: achei! A fila do Bangu fica logo ali, no meio da rua! Populares se espremiam como dava, mas pra minha felicidade a fila do meu Bangu era menor do que a fila do Campo Grande ou do Santa Cruz daquelas pessoas. Pense positivo: tem sempre alguém em pior situação do que a sua.  São em situações como esta que a gente vê que carioca é naturalmente debochado. Estávamos, todos na lama e na chuva e sempre que chegava algum “perdido”  perguntando: Bangu? Mais de um respondia: É. O final da fila é pra lá. Mas, as caras dos que respondiam diziam: a-há se f…eu!  E as caras do que ouviam diziam: PQP! Me F…di!

Confusão da porra na porra da fila do Santa Cruz, empurraram a velhinha que galgava seu primeiro lugar na fila do nosso Bangu por direito de Estatuto, mas mexeu com um dos nossos mexeu com todo mundo: epaaaaaaaaaa! Não adiantou nada, a galera de Santa Cruz tinha mais pressa e se auto-sacaneou: furaram a fila e ainda exibiam largos sorrisos nas janelas embaçadas.

Ficamos com medo de o nosso ônibus chegar e acontecer o mesmo, como dizia um rapaz na fila: – Não é preciso se preocupar. Lá só aconteceu porque ninguém estudou no Leopoldina (Colégio público de Bangu| isso só foi uma piada). Resolvemos então, que seria melhor nos organizarmos, o combinado era cada um tomar conta da sua frente. Já tínhamos um líder que conseguiu por ordem na fila e a nossa já fazia até voltinha. Para nossa sorte o despachante era amigo de uma conterrânea da fila e ele tinha um rádio! E esse rádio orientou o motorista a só abrir a porta quando estivesse na frente da velhinha (a que foi empurrada). E assim foi e todo mundo entrou! Adoro tecnologia! Lá estava eu sentada, numa poltrona reclinável e acolchoada, no ar condicionado e ouvindo Djavan.  O relógio marcava 19h20min (arredondando pra mais) liguei pra Cintia de dentro do “Frescão” e ela já estava em casa! Hã?! Morri de inveja da Kombi dela, claro! E minha cara disse: PQP! Me f…di!

Eu entrei na minha casa às 20h35min. Não, não o meu Bangu não fica em outro estado, é ignorado (rimou, mas não era minha intenção). A Cintia tinha pedido pra eu ligar quando chegasse. Liguei pra ouvir: Só chegou agora?!  Fiquei puta chateada! Mas, aí lembrei que a Priscila mora num lugar que ela diz que é Bangu, mas a gente sabe que é bem depois!

Mas, e você o que tem a ver com isso? Nada!  Só quis dividir a minha indignação com um país, com uma cidade que faz promessas de melhorias com deadline para 2016, enquanto a sua população sofre todos os dias com a falta de transportes públicos decentes, vias inadequadas, falta de educação, saúde e segurança. Quer dizer que se a p…rra daquela m…da de envelope tivesse escrito Madrid, essas melhorias iriam pra gaveta? Mas, é benfeito pra um povo que lota Copacabana num dia de semana em horário de expediente para assistir shows gratuitos e acreditar que isso é cidadania!  Não. Não sou do contra e muito menos “reclamona”, mas se tivéssemos disposição para nos manifestarmos contra as picaretagens que aceitamos passivamente ao invés de nos deslocarmos para o “oba-oba”, quem sabe não seriamos levados a sério e a festa com o dinheiro público cessaria.

Como boa brasileira e trouxa que sou, mesmo sendo contra tudo isso, meus olhos marejaram ao ver o replay da abertura do envelope no noticiário da noite.  Então, perdoe-me! Eu não sei o que digo…

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Quando eu envelhecer

agosto 26, 2009

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Lembrarei com saudade de todas as nossas brincadeiras.  Lembrarei que a frustração de não ter tido um filho “macho” foi superada por ter tido uma caçula menina moleca. E que tentou me ensinar a colocar pipa no alto, e mesmo não conseguindo, se divertia a me ver sorrindo e sacudindo os braços pequenos e sempre magrelos que logo se cansavam e desistiam de manter o brinquedo no alto.

É piegas, mas agora escrevendo, parece que foi ontem. Nós dois. Bonés pra trás, enxada, pá e carrinho de mão. Pouco importava pra mim se a “brincadeira” era pesada, só queria estar perto.

Eu cresci, aprendi as minhas próprias brincadeiras e não me senti a vontade pra dividi-las. Chato isso. Mas, os valores já estavam enraizados e a essência da minha criação nunca se fez ausente. E acho que mesmo depois de “grande” consigo ver o desapontamento em pequenos flashes em minha memória, quando penso em agir diferentemente do que aprendi.

Costumo brincar e digo que tudo o que não presta em mim, eu herdei do meu pai. Tá, meu cabelo é “ruim”. Minha pele é oleosa e o meu nariz grande, sou teimosa, sofro de má circulação e ainda torço pro flamengo.

Besteira. A verdade é que tenho muito orgulho de ter herdado a dignidade de um homem gigante como o meu pai.

Quando eu envelhecer, quero contar aos meus filhos sobre o amor de pai pra filho. E vou contar pra eles da maneira que eu aprendi. Da maneira que ele me ensinou.

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Dia internacional do Homem?

julho 15, 2009

Sim! Eles merecem.

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Algumas pessoas insistem em dizer que eles não servem pra nada! Outras dizem que são dispensáveis, pois já existem avanços na ciência para reprodução humana, e que já conseguiram inclusive reproduzir esperma em laboratório (porém, precisam dos cromossomos XY somente encontrados nos homens) e que potes, latas e vidros já podem ser abertos com a ajuda do “ABRIDOR ELÉTRICO OPEN STATION HAMILTON BEACH” (à venda naquele canal de televisão), mas esquecem que vem com manual de instrução, e só de pensar em ler, desisto da compra.

 Embora, alguns não mereçam dividir o mesmo planeta que nós-mulheres, a grande maioria é do bem. Atire a primeira pedra, a mulher que não sonha com aquela massagem nos pés, depois de um dia inteirinho de trabalho. E cá pra nós, eles fazem isso divinamente! Além disso, são eles os responsáveis pela parte boa do churrasco (a churrasqueira!), e por mim, podia ter todo dia! Assim, seríamos dispensadas da cozinha.

 Confesso ter pena deles (às vezes, somente às vezes). Confessa! Você é chata! Você é muito chata! Benhêee com que sapato eu vou? Fico melhor com preto brilho ou preto fosco? Acha que esse batom desfavorece a minha boca? Eu to muito gorda, né?!

Tenho pena, principalmente porque todas essas perguntas não têm resposta. Aliás, tem resposta. Mas essa só você sabe! Eu no lugar deles, ficaria muda!

 E diz pra mim, se tem coisa mais linda do que vê-los ninando nossas crias? Se fechar meus olhos, consigo imaginar direitinho um pai com um bebê no colo segurando seus dedinhos e olhando com aquela cara de bobo que encanta…

 Há controvérsias quanto à data. Alguns lugares citam 15/07 e em outros 20/11. Não consegui descobrir a certa, ou qual o motivo pelas escolhas no calendário. Mas acho que o dia do homem poderia ter muitas outras datas. Quantas e quantas descobertas, evoluções e conquistas não devemos a eles? Pense na história da humanidade e vamos perceber que apesar dos pesares (roncos e barrigões à parte) eles significam muito pra todas nós.

 Tenho certeza que o mundo sem eles, seria um grande saco! Seria sério e sem perna de jogador de futebol. Seria cheio de frescuras e sem coragem pra matar barata. Seria frio e sem fogueira.  Seria barulhento e com muitas mulheres querendo ter razão.

 Por nos aguentar, por endeusar a nossa existência, por ser diferente do que a gente gostaria (ainda bem), parabéns pelo seu dia!

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Os descendentes de Eva

julho 10, 2009

Meu pensamento é meio doido. Estou lendo um livro chamado Jules e Jim (virou filme em 1962, e no Brasil recebeu o nome de “Uma mulher para dois”). Fiquei confusa com a descrição de tanta liberdade sexual e sua cronologia, já que o início do livro data o ano de 1907. Como comprei o livro por acaso, em minha ida a um charmoso cinema de rua, acompanhando o Felipe a ver “Transformers 2” e como nunca tinha ouvido falar do livro, do filme ou dos autores, fui perguntar ao Grande Deus Google, e aí descobri que a obra possui dois pais! Tem o autor original que é o Roché (Que parece ter se inspirado em sua história pessoal de um triângulo amoroso pra escrever Jules e Jim), e tem  François Truffaut que passeava por Paris e encontrou as escritas de Roché num Sebo em 1950 e o transformou em filme, tornando a história e o nome de Roché mundialmente conhecidos.

Ai! Me confundi! Peraí! Voltando… à cronologia: O Google me disse que o Roché nasceu em 1874. Puta-que-o-pariu! Então tudo aquilo aconteceu meeeeeeesmo na época que Roché conta! Ô pessoal evoluído, esse europeu! Lembrei que minha bisavó nasceu em 1907 (mesmo ela inventando que o cartório do seu registro pegou fogo, e como ela casou fugida, por isso sem documentos, Nézinho (meu bisavô) inventou pro juiz que ela era de 1907, mas que ela era beeeeeeem mais nova), mesmo não sabendo o que aconteceu durante aquela fuga (meus familiares que me perdoem), não consigo lembrar de uma velhinha tão evoluída, como o que acontecia no ano de seu nascimento em Paris. Aí concluí que essa evolução sexual, só podia mesmo ser coisa de europeu, que minha bisa, em toda a sua fuga por aqueles sítios, cidadezinhas e meio do mato, não teria vivido coisas semelhantes a que estou lendo.

Engraçado que me choco mais com a facilidade que eles têm em aceitarem as coisas do que com os próprios fatos. Não, não vou contar o que acontece… se quiser posso te emprestar depois, mas devolve! Não consigo me desprender dos meus livros.

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Tá, mas até agora o título do post não está explicado. É, eu sei. Mas, já chego lá, ou pelo menos vou tentar explicar.
Percebi que a rampa que desço na estação de Triagem (todos os dias) tem o poder de me fazer pensar coisas estranhas. Hoje, descendo pra pegar ônibus e pensando na leitura interrompida, minha mente viajou e sabe-se lá porque a Eva (é, aquela expulsa do paraíso) se meteu nos meus pensamentos. Acho que foi porque ela era uma mulher à frente do seu tempo assim como todos os personagens do livro. Primeiro, porque foi a primeira do mundo. Segundo, porque abriu mão de toda a beleza do Jardim, desobedecendo a Deus e conversando com uma serpente (acho que no jardim já rolava uma erva queimada) que a fez comer o fruto proibido e dar (a maçã) pro Adão até serem finalmente expulsos do paraíso! Ehhh mulherzinha moderna!

Aí pensei: – Cara?! Nós estamos andando pra trás! Se Eva e Adão, eram os únicos humanos na Terra, e geraram filhos e filhas. E esses filhos e filhas também tiveram filhos e filhas, entende-se que eles procriaram entre irmãos!

 - Ai meus Deus, me perdoe se isso for contra os seus ensinamentos, prometo não descer mais aquela rampa de Triagem, é tudo culpa daquela rampa!

 É… preciso me tratar!

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